Ensino de música no conservatório e questões de gênero em demandas normativas e emancipatórias
Palavras-chave:
Educação musical, Conservatório, Estudos de gênero.Resumo
Reflete-se sobre o ensino de música no conservatório e questões de gênero, fomentando-se a mediação pedagógica diante das demandas normativas e emancipatórias. São suscitados dados de uma pesquisa de doutorado já concluída (2020-2024) e diálogos com Jorge Luiz Schroeder e Silvia Cordeiro Nassif, especificamente sobre suas noções de “corporalidade musical” e “musicalidade”, que possibilitam aprofundamentos teóricos e analíticos sobre o ensino especializado de música e compreensões não pétreas sobre corpo, instrumento e música, assumindo-se o viés plurissignificativo e plurilinguístico das vivências e enunciados artístico-musicais, em relações estéticas e de ensino-aprendizagem. Os dados analisados possibilitaram demostrar que a disciplina de história da música vem sendo tomada para discutir questões relativas ao machismo, homofobia, invisibilidade e ausência das mulheres; e a disciplina de canto coral tem propiciado discussões sobre fisiologia da voz, transgeneridade e corpo. Constata-se que a politização quanto ao gênero pode se dar na potencialização da mediação pedagógica, que não deve ser romantizada, mas usada criteriosamente a favor da inclusão, diversidade e pluralidade dos corpos, músicas e instrumentos: pela propagação de conhecimentos técnicos, teóricos e práticos. Em termos mais abrangentes, o conservatório se evidencia enquanto espaço complexo, não generalizável, passível de críticas e entendimentos naquilo que diz respeito às normas binárias nas escolhas das modalidades (instrumentos e canto), repertórios, áreas de atuação e sentidos musicais, que podem ser lidos no amalgamento entre música e gênero.
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