Inclusão cultural de pessoas com deficiência em práticas musicais comunitárias
Palavras-chave:
Acessibilidade, Pessoas com deficiência, Práticas Musicais Comunitárias, Inclusão cultural, Relato de experiênciaResumo
Este trabalho nasce de uma vivência concreta, construída ao longo de duas décadas junto a um grupo de canto coral com pessoas com deficiência, em um município brasileiro. Inicialmente movida pelo desejo de construir um espaço de pertencimento musical, essa prática revelou, com o tempo, tensões recorrentes relacionadas à exclusão simbólica, à falta de formação dos agentes culturais e às barreiras ainda presentes nas políticas públicas de inclusão. O relato de experiência tem como objetivo apresentar o percurso vivido entre a prática e a formalização da pesquisa em andamento, destacando os deslocamentos éticos, metodológicos e políticos envolvidos nesse processo. A pesquisa busca compreender como agentes culturais têm atuado frente à inclusão de pessoas com deficiência em ações musicais comunitárias, especialmente fora do circuito institucionalizado. Com abordagem qualitativa e situada, são utilizados questionários e entrevistas em projetos locais, escolas de música, centros comunitários, igrejas e pontos de cultura. A fundamentação teórica apoia-se em autoras e autores como Geraldo (2023), Oliveira Filho (2021) e Alcântara (2022), que discutem o capacitismo, a acessibilidade cultural e a potência das práticas comunitárias. Como resultados, espera-se mapear estratégias, limites e compreensões sobre inclusão a partir dos próprios territórios. O estudo prevê ainda a devolutiva dos achados às comunidades, por meio de materiais acessíveis e encontros formativos. Desse modo, entende-se que a escuta situada e o compromisso com os contextos locais são caminhos fundamentais para a construção de políticas culturais verdadeiramente acessíveis.