Do tripé “tópicas musicais, camadas de linguagem e níveis de interpretação” como um possível caminho analítico
Palabras clave:
Semiótica, Enunciação, Camadas de linguagem, Níveis de interpretação, Tópicas musicaisResumen
Este trabalho investiga a relação entre música e linguagem sob uma perspectiva epistemológica, tendo a semiótica como ferramenta central para a análise e compreensão do fenômeno musical. A pesquisa parte da Teoria dos Atos de Fala, de Austin, e do Construtivismo Lógico-Pragmático para analisar a música como linguagem comunicacional, cuja significação é socialmente construída e culturalmente situada. Adota como base teórico-metodológica a semiótica em suas dimensões sintática, semântica e pragmática, articulada à Teoria Espiral de Swanwick e ao conceito de enunciação. O estudo rejeita a ideia de “música absoluta” e defende que o sentido musical emerge na enunciação e na escuta, sendo legitimado por camadas de linguagem que sedimentam sentidos (tradição, notação, crítica, performance). Nesse contexto, destaca-se o papel das tópicas musicais (topoi) como operadores retórico-pragmáticos culturalmente estabilizados, que organizam a experiência estética e orientam a interpretação e a escuta. Os resultados apontam que a construção de sentido musical depende da ativação cognitiva e simbólica dos topoi, sendo o intérprete o agente central desse processo. Conclui-se que a música não é objeto autônomo e dado, mas discurso em constante reinscrição, cujo significado se realiza plenamente na performance — entendida como ato de fala final e socialmente legitimador. A fenomenologia musical, assim concebida, articula linguagem, cultura e intersubjetividade, tornando a música inteligível como prática comunicativa viva. O estudo contribui para a ampliação do entendimento da música como linguagem simbólica complexa; mediada por signos, códigos e convenções culturais.