Ficções criativas em Música Ricercata de György Ligeti

Autores

  • Martin Robbio UNIRIO
  • Daniel Quaranta

Palavras-chave:

György Ligeti, Música Ricercata, ficções criativas, forma musical

Resumo

Este artigo investiga o papel das ficções criativas na estruturação de Música Ricercata (1951–1953) de György Ligeti, tomando como ponto de partida o impulso cartesiano do compositor de recomeçar a composição "a partir do zero". A partir de referenciais teóricos como a filosofia do "como se" de Vaihinger, a criação de mundos de Nelson Goodman, a desconstrução de Derrida e a teoria simbólica de Cassirer, o artigo argumenta que o plano composicional da obra, baseado na introdução progressiva das doze alturas ao longo de onze movimentos, funciona não como um sistema rigoroso a ser verificado, mas como uma ficção operativa que impulsiona a criação. Analisa-se como Ligeti mobiliza estruturas simétricas, paradoxos matemáticos e referências ao infinito, como ferramentas intuitivas e elásticas, e não como fundamentos científicos. Conclui-se que, em Ligeti, forma e conteúdo são indissociáveis: as ficções teóricas não representam a música, mas a constituem, gerando obras em permanente tensão entre o finito e o ilimitado.

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Publicado

2026-10-21

Como Citar

Robbio, M., & Quaranta, D. (2026). Ficções criativas em Música Ricercata de György Ligeti. ANPPOM. Recuperado de https://anppom.emnuvens.com.br/congresso/article/view/729

Edição

Subáreas

SA-1. Composição e Sonologia

Formatos