Poéticas da limitação tecnológica na composição eletroacústica baseada em modificações de escala temporal da voz gravada

Autores

  • Giovanna Lelis Airoldi Universidade de São Paulo

Resumo

Neste artigo, apresento o relato do processo composicional de duas peças eletroacústicas elaboradas a partir de transformações de escala temporal (timestretch) aplicadas a gravações de frases faladas. Compreendo esses procedimentos não apenas como ferramentas técnicas, mas como produtores de distorções, artefatos e comportamentos sonoros inesperados que incorporo como elementos poéticos e composicionais, discutindo de que maneira elementos opacos dos processos algorítmicos participam da constituição da matéria sonora. Os relatos abordam uma obra audiovisual derivada da gravação da voz de minha filha relatando um sonho e uma peça acusmática baseada em um verbete de um livro infantil que descreve superficialmente o processo de formação dos oceanos. Em ambos os casos, a expansão e a contração extremas da duração deslocam a voz de sua função referencial, fazendo emergir novas qualidades espectrais, texturais e imaginárias. Argumento que as pré-definições inscritas nos algoritmos e os resultados sonoros não inteiramente controláveis podem ser compreendidos como componentes fundamentais do processo criativo. Nesse sentido, a opacidade da “caixa-preta” tecnológica deixa de ser entendida como obstáculo e passa a participar ativamente da construção da poética das obras.

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Publicado

2026-10-21

Como Citar

Lelis Airoldi, G. (2026). Poéticas da limitação tecnológica na composição eletroacústica baseada em modificações de escala temporal da voz gravada. ANPPOM. Recuperado de https://anppom.emnuvens.com.br/congresso/article/view/652

Edição

Subáreas

SA-1. Composição e Sonologia

Formatos