Análise e sugestões interpretativas à luz do Ensaio de Jean-Louis Duport nas Sonatas para piano e violoncelo de Beethoven
Palavras-chave:
J. L. Duport, Ludwig van Beethoven, Escrita idiomática, Colaboração compositor-intérpreteResumo
O encontro entre Jean-Louis Duport e Ludwig van Beethoven em Berlim, no ano de 1796, representa um momento significativo para o desenvolvimento da escrita idiomática do violoncelo no final do século XVIII e início do século XIX. Durante esse período, Beethoven teve contato direto com a técnica e recursos expressivos sistematizados por Duport no tratado Essai sur le doigté du violoncelle et sur la conduite de l’archet, publicado em 1806, mas que já estava em preparação há XX anos. Duport trabalhou com o compositor naquele verão em Berlim, e tocou na estreia das suas Sonatas Op. 5, com o próprio Beethoven ao piano — o que evidencia a proximidade entre eles no processo de consolidação de uma nova linguagem para o instrumento. Nesse contexto, o presente artigo investiga a influência do tratado de Duport nas Sonatas Opp. 5, 69 e 102 de Beethoven, considerando aspectos relacionados à sonoridade, articulação, condução do arco e exploração técnica do violoncelo. A pesquisa busca demonstrar como as concepções propostas por Duport contribuíram para a ampliação das possibilidades idiomáticas do instrumento, refletindo-se em uma escrita mais independente, expressiva e tecnicamente sofisticada nas sonatas beethovenianas. Desse modo, argumenta-se que o contato entre Duport e Beethoven teve papel fundamental na transformação do violoncelo, que passou de instrumento predominantemente contínuo para um meio de expressão camerístico dotado de igual protagonismo musical. Neste sentido, a pesquisa fundamenta-se em autores como Lockwood (1977, 1986), Walden (2004), Moskovitz e Todd (2017), Lodes (2004), Chen-Merret (2006)