Fole, Corpo e Mercado
Transformações nas Práticas e Repertórios de Sanfoneiros de 8 Baixos
Palavras-chave:
Fole de 8 Baixos, Forró, Música PopularResumo
Este artigo discute como as transformações nas formas de escuta, aprendizagem e circulação do forró têm repercutido nas práticas musicais de sanfoneiros de 8 baixos. Parte-se da compreensão de que o repertório tradicional do instrumento está associado a experiências corporais e comunitárias, nas quais música, dança e território constituem uma mesma dinâmica performática. Dialogando com a noção de espiralidade de Leda Maria Martins, argumenta-se que gêneros como baião, xote, arrasta-pé, xaxado e os chamados “choros” funcionam como matrizes abertas para a criação coletiva. Em contrapartida, a expansão dos meios de reprodução sonora e a crescente centralidade da canção gravada no mercado do forró promoveram mudanças nos modos de construção e transmissão dos repertórios. O artigo analisa como sanfoneiros contemporâneos negociam essas transformações, incorporando repertórios vinculados à canção sem abandonar completamente fundamentos musicais e corporais associados às tradições do instrumento. Conclui-se que tais mudanças expressam novas articulações entre herança cultural, midiatização e práticas locais de performance.