Beethoven como referência estética na crítica musical de Robert Schumann
Resumo
O presente artigo investiga o papel de Beethoven como referência estética nos escritos críticos de Robert Schumann, publicados no periódico Neue Zeitschrift für Musik. Partindo do ideal schumanniano de uma “nova era poética” na música, analisa-se como a figura de Beethoven é mobilizada como parâmetro crítico para a avaliação de compositores contemporâneos. Através da análise de resenhas e ensaios publicados entre 1834 e 1836, observa-se que o legado beethoveniano cumpre uma dupla função: por um lado, representa a culminação de uma tradição; por outro, funciona como impulso para sua superação, alinhando-se às demandas românticas de originalidade e expressão individual. A análise aponta, assim, para a centralidade de Beethoven na articulação entre memória histórica e projeto estético na crítica musical de Schumann.